VOCÊ ESTÁ A LER...

O Avatar de Algum de Nós

Géiser do Parque Nacional de Yellowstone, Wyoming, EUA
Esta semana fui (quase a fugir das salas de cinema), finalmente, ver o filme de James Cameron – candidato aos Óscares este ano –, Avatar e, um pouco desarranjado ao sair da sala de cinema, com o quimérico da mensagem entre linhas, recordei Home de Yann Arthus-Bertrand; e a desacelerada discussão ecológica mundial no baque dos líderes vários na passada, fracassada Conferência de Copenhaga.
No Dia Mundial do Ambiente, a 5 de Junho do ano passado, o jornalista, fotógrafo e ambientalista francês Yann Arthus-Bertrand, trouxe ao mundo, em carácter distintivo multimédia, o documentário HOME cujo, mostra a história da humanidade, em consonância com os variados ecossistemas que se interligam em auto-encadeamento: o ciclo hidrológico em ininterrupta acção para equilíbrio natural. Os recifes de corais, dos quais, a harmonia de todos os oceanos, dependem. As grandes extensões de árvores que, através da fotossíntese, devolvem à atmosfera o O₂ gasoso: sem elas, os animais e muitos outros seres heterotróficos, seriam incapazes de sobreviver porque a base da sua alimentação está sempre nas substâncias orgânicas. E por fim, o húmus para o enriquecimento naturalis dos solos.
À parte disso, num altruísmo em longa-metragem da "Terra é um milagre", acossando um traço inegável de esperança social e particular (mensagem essa, deixada mais sublinhada na conclusão do documentário), Arthus-Bertrand, assume, ele próprio, a demanda da evolução humana, das políticas socioeconómicas de interesse singular implícitas, da esquecida politologia perene, sem intervenção do Protocolo de Quioto e na redução de emissões de GEE. Incitado, numa linha de pensamento, pela crescente possessão de determinados habitats pelo Homem e a sua moldação drástica contra a superfície terrestre. Uma agricultura evolutiva, inflexível, toma as terras de arremesso, em função duma densidade populacional em crescimento: as máquinas substituem a mão-de-obra onde, como no documentário Os Respigadores e a Respigadora de Agnès Varda, alguns excedentes são retornados ao lixo visível mas incompreensível. Faster and faster. O progresso petroquímico em pesticidas – contaminando duradoiramente a atmosfera – e fertilizantes: o gado é alimentado pelos portentos da agricultura. O pré-requisito para a sobrevivência do Homem, faculta o conforto necessário no consumo incessante dos combustíveis fósseis – recursos naturais não renováveis – cuja ingenuidade humana vê como recta. A desflorestação, o consumo de electricidade e a pesca em bruto – premissas dimanadas das acções do Homem.
Por consequência, Arthus-Bertrand, inclui, numa sequência quase comovente de imagens amenas do nosso planeta, a problemática do clima global (mormente, o aumento da temperatura média do ar) e as conclusões que lhe estão incutidas, como o degelo da calota do Árctico em função do elevado grau do efeito de estufa, a intensidade líquida da massa dos oceanos e a resultante subida da altura do mar em zonas marítimas. As secas, os incêndios e as cheias.
É um trabalho de criação artística. Do activista militante que vem, nessa particularidade com sintomas de impressionista ao abstracto, apontar o desastre da intervenção humana e dos planos apresentados para reforçar a sua tese, juntamente com um discurso destinado a tocar as cordas sensíveis, num mundo ecologicamente sobre o precipício.

Comentários para este post

 

© 2010-2012 Cadência Meneada. Todos os direitos reservados.